sexta-feira, outubro 14, 2005

o indivíduo transforma-se numa pessoa logo que a caminho do carro

quando tudo parece estar ao contrário é porque normalmente está e tenho a ideia que nos dias d'hoje, onde existe uma fila indiana de pensamento, quem decide se as coisas estão mal ou bem é o padrão.

por isso de vez em quando paramos um pouco para pensar nas coisas, e este parar um pouco para pensar nas coisas acontece quase sempre quando se está a andar de carro. por isso é que os homens quase que ganham um carinho especial pelo seu automóvel.

é que esse nosso amigo por vezes substitui o cão no nível de amizade a que este historicamente se encontra.

pois é no carro que vivemos alguns dos nossos momentos mais pessoais como por exemplo, é no carro que nós pensamos os nossos pensamentos mais profundos, questionamos as nossas escolhas ao longo da nossa vida, ouvimos a nossa música, dizemos em voz alta aquilo que nos passa pela cabeça por mais parvo que seja, andamos à nossa velocidade, somos apanhados em excesso de velocidade, juramos a pé juntos que só bebemos uma cerveja, onde admitimos "ok talvez tenham sido duas ou três", onde imploramos "por amor de deus xôr agente eu preciso da carta para trabalhar!", nem que sejamos um apicultor.

um carro não é uma carro, é o lugar onde temos uma vida à parte. um individuo ainda é uma pessoa.

terça-feira, outubro 11, 2005

metodicamente caótico

não sou um gajo metódico e isso é algo que requer muita concentração da minha parte, muito rigor, muita disciplina. não pensem que não ser metódico é algo que se consiga só porque se quer. são necessários muitos anos de prática, uma devoção cega, uma vontade interior inabalável, um talento natural para ser metodicamente caótico.

eu sempre fui assim, fiel ao princípio de que o caos é única forma segura e infalível de ter tudo organizado da mesma maneira, no caos nada tem a importância que não deve ter, tudo tem a mesma relevância e será tratado de igual modo, responsavelmente anárquico. o que em termos profissionais penso não ter importância alguma.

é que em termos profissionais para um gajo parecer metódico, concentrado e responsável basta um gajo ser incrivelmente calado, como é o meu caso.

Quando um gajo é introvertido mais ou menos ao nível de um lavrador tibetano, as pessoas nunca pensam "epá mas porque é que este gajo nunca fala com ninguém?será que é por ser alienado do mundo, consumir álcool em ocasiões sociais, familiares e ocasionalmente depois de um jogo do BENFICA?"não, isto eles não pensam.

o que toda a gente pensa é "epá, o trabalho deste gajo nunca aparece feito, tem na secretária montes de folhas espalhadas, já estragou diversos negócios por não fazer abolutamente nada, tem sempre a barba por desfazer, de vez em quando adormece sobre a secretária, tem uma sinosite um pouco estranha que normalmente ataca depois de um almoço mais demorado, mas como é um gajo calado deve ser um excelente profissional!, ele deve ser...um gajo metódico!".

é isto que eles pensam.e é isso mesmo que eu sou!
um gajo calado.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Quanto mais velho estou, menos me surpreendem

São cada vez menos as pessoas que me conseguem surpreender. As únicas excepções são a minha Avó e o meu filho.

Aqui neste blog já deixei vários exemplos de surpresas vindas da minha Avó. Eu acho que a sua surdez ajuda muito neste capítulo.

O post de hoje, é dedicado às boas surpresas vindas do meu filho Duarte. Deixo aqui um par de exemplos:

O domínio da lingua. Bom Português (com 3 anos)
Diz a Mãe:
- Duarte, tu és o meu tesouro.

Responde o Duarte:
- Mãe, tu és a minha tesoura.


Personagem de poucas falas (com 5 anos)
- Diz-me o Duarte: Ó pai, estamos a ensaiar uma peça de teatro lá na escola. E eu vou fazer de Rei.

- E digo eu: Fantástico! E esse teu personagem tem muitas falas ?

- Respondeu-me ele: Não, não. Só tem uma espada.

sexta-feira, outubro 07, 2005

No local errado à hora errada...PLOC

ir à casa-de-banho ao mesmo tempo que o chefe é uma coisa complicada e que obdece a uma série de protocolos. existem aliás rumores sobre um livro que explica como dominar por completo esta delicada situação.

por exemplo, quando nos sentamos no trono da igualdade e no trono ao lado está o nosso chefe, devemos evitar várias coisas, uma delas é o cheiro, por amor de Deus evitem o cheiro, e se não o conseguem evitar e pressentem o perigo então digam logo assim que entrarem no WC" olha, um cavalo morto já em fase adiantada de decomposição!". é que depois imaginem que saem ao mesmo tempo que ele, lá terão de largar qualquer coisa como "epá, aqueles pastelinhos de bacalhau deram-me volta à barriga".

outra coisa a evitar é o som, quando estamos sentados no trono, naqueles dias em que o desgraçado parece vir de lado e um gajo tem de fazer mais força, por vezes sai um som, misto de gemido parvo "eeeeehhhhhhhhhhhhhhh" e grito de desespero "hhhhhaaaaaaaaahhhhhhhhhhh", evitem isso e definitivamente após o desfecho vitorioso sobre tão víl tarolo evitem aquela expressão um pouco gay "ai ai", se têm mesmo que dizer alguma coisa é preferível dizer um sempre másculo "fod*-**! tarolo do car****!"

mas a coisa mais preoucupante de todas é sem dúvida o "PLOC".

O "PLOC" é como todos sabem o som do embate do cagalhão na àgua. dependendo de várias condicionantes, como o peso e a velocidade a que é projectado podemos estar diante de um "PLOC", tarolo de tamanho médio e projectado a velocidade de cruzeiro ou de um "CHAPLOCPONGCABUNG" quando de trata de um exemplar de grandes proporções e cuja velocidade oscila entre "foda-** 'tava mesmo à rasca" e "por pouco não me cag*** todo ó car****".

Obviamente que se não tivessesmos ninguém no WC connosco a segunda hipótese seria motivo de orgulho, afinal fazer barulho na casa-de-banho é divertido, quantos e quantos de nós quando chegamos bêbados a casa às 5 da manhã não mudamos a àgua às azeitonas fazendo pontaria mesmo para o centro da sanita tentado fazer o máximo barulho possível para tentarmos um dia quem sabe, acordar a vizinhança?

Mas aqui o caso é diferente. não se pode fazer barulho. O truque? Simplesmente deitem algumas folhas de papel para dentro da sanita ANTES de se sentarem e resolvem a situação. Por maior que seja a torcida transmontana, o seu embate será sempre amortecido por aquelas folhas cuidadosamente colocadas anteriormente. Existem outras técnicas mas são de grau de dificuldade mais elevado já que envolvem algum saber na arte do contorcionismo.

Bom,...e é assim a vida de um gajo criado no campo quando fora dele!

quinta-feira, outubro 06, 2005

o bom-senso dos extremos

fui jantar a um restaurante chinês. e sempre que isso acontece um milhão de questões se levanta.

o porquê de eu ir a um restaurante chinês é logo a primeira delas, já que não sou grande apreciador das "iguarias" chinesas, tenho sempre aquele receio de que em vez de galinha esteja a comer rato, em vez de porco, gato, em vez de vaca, rato com gato ou outras coisas do género.

Depois existem um série de coisas que irritam qualquer pessoa, como por exemplo a porcaria dos pan pipes orientais, será só comigo ou aquela maldita música também dá cabo dos nervos a qualquer um????? irra, parece que eles pensam "bom, isto é um restaurante chinês, os empregados têm olhos em bico, nós servimos comida chinesa, temos aquelas fardas orientais, uma cabeça de dragão à entrada, o restaurante chama-se "dragão vermelho-sim, é um restaurante chinês", mas o melhor pelo sim pelo não será pôr estas intermináveis e detestáveis músicas orientais a tocar não vão os clientes pensar que estão num restaurante italiano ou argentino!". Será que eles não sabem que para se ter a certeza que estamos num restaurante chinês basta eles trocarem os "érres" pelos "éles"?????

Outra coisa que irrita é o "obligado", um gajo faz o pedido e eles dizem "obligado" baixam a cabeça e retiram-se dando 3,4 passos de frente para nós e só depois virando as costas, um gajo diz "são 2 cafés e a conta ó chinês", e eles dizem "obligado" baixam a cabeça e retiram-se dando 3,4 passos de frente para nós e só depois virando as costas, um gajo pergunta onde é a casa-de-banho e eles dizem "obligado", um gajo diz "a sério ó jackie chan, diz lá onde é a casa-de-banho que eu estou à rasca" e eles "obligado obligado", até que um gajo desiste e procura desesperadamente um símbolo, alguma porta com um desenho qualquer que indique onde é o wc, o pior é se eles têm homens e senhoras escrito em chinês, aí estamos f******, como este é um espaço cultural aqui vai uma informação ùtil.
Homens 诸君 senhoras 夫人

Outra informação ùtil é esta, quando por acaso estiverem bem à rasquinha e pensam finalmente ter descoberto a casa-de-banho, ...o melhor será não começarem logo a desapertar as calças,baixar as cuecas e segurar o senhor pénis, tudo em acto-continuo...é que pode não ser exactamente a casa-de-banho, pode ser uma cozinha com raparigas lá dentro e um cozinheiro chinês gordo com uma faca na mão que tem uma noção de "honra de família" muita diferente da nossa e que começa logo a falar em casamento e tal.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Chamar as coisas pelo nome delas


As desculpas que eles inventam.

Quando visitei o Museu do Louvre, confirmei que o quadro de Monalisa (ou Gioconda) continua a ser um dos mais populares e procurados deste museu.

Para me conseguir aproximar do quadro de Monalisa, foi necessário passar por um mar de gente que, a pouca distância do mesmo, se deliciava contemplando-o.

Quando finalmente consegui chegar à primeira fila para admirar decentemente a shôra dona Gioconda, confirmei que realmente se trata de uma verdadeira obra de merda !!!

Mas o que é que aquela porcaria tem de interesse ? Ainda se ela fosse uma gaja boa !?

Primeiro, é um dos quadros mais pequenos do Louvre. Se aquilo tivesse aí uns 50m2 de pintura, eu ainda era capaz de lhe dar algum valor, pela trabalheira que daria a pintar...

Depois, dizem que a beleza do quadro está no 'sorriso enigmático' de Monalisa!

Sorriso enigmático ??? Para mim não passa de uma paralisia facial.

Mas por que raio é que não chamam as coisas pelo seu nome ?

Quer dizer, se em vez de pintar a Monalisa, o shôr Leonardo tivesse pintado um quadro com o Corcunda de Notre Damme (que em Português significa O Marreco de Nossa Senhora), iriam chamar-lhe o quê? Marreca enigmática ? Espinha em folha-seca ? Testículos pesados ?

Pl'amor de DEUS !

terça-feira, outubro 04, 2005

Valores de família

Ir à bola não é só ver futebol, é bem mais que isso. Ir à bola é entrar em contacto com pequenos mundos de criaturas que mais parecem ter invadido o nosso planeta vindos de um outro sítio qualquer.

Desta vez fiquei junto a uma família de gente simples, gente boa. A constituição era a seguinte, do lado esquerdo e com cerca de 5,6 anos o filho, de seguida a mãe.(na casa dos quarentas), depois a filha, um pouco mais velha que o irmão e na ponta direita, o pai(nos quarentas também e completamente sóbrio, este pormenor mais à frente será importante).

Assim que vi isto tremi, pois fui ao estádio com um amigo e com bipol. Logo que nos sentámos pensei, "isto hoje não vai correr bem, se não me controlo ainda levo um raspanete destas pessoas por estar a dizer tantas asneiras perto de uma família. É que quando um gajo vai à bola, um gajo passa por um momento de catarse único e que serve para nós deitarmos cá para fora as cerca de 23 mil 715 asneiras e os 32 mil 824 insultos gratuitos que infelizmente não pudemos dizer durante a semana por causa das regras, do bom senso e da boa educação.boa educação o fod*-**! No futebol há paixão irracional e raiva desmedida, boa educação é para a médicos ou gandins do género.

Temi o pior. Depois...bem depois fui completamente esmagado por um quadro tão genial quanto português. É que os pais desta família não eram do tipo de fugir às suas responsabilidades. Para quê deixar para a escola, para as ruas a educação que eles próprios podem dar? Infelizmente já não há muitos pais que pensem assim.

Tudo começou com uma falta mal assinalada a Ricardo Rocha, após uma tesoura perfeita na bola!!!!foi na bola!!!boi preto!!gatuno!!ok, calma.
Nesta altura o pai, mostrou como se deve estar no futebol, espicaçado pela claque da equipa "rival" que gritavam "gui-mar-ães, gui-ma-rães", dirigiu-se a esses mesmo individuos da seguinte maneira, numa coreografia engraçada, mantendo-se sentado, e de forma clara para não deixar qualquer dúvida à filha e ao filho sobre como depois fazer a mesma coisa, baixava o braço direito enquanto subia o esquerdo e vice-versa, sendo que todos os dedos de ambas as mãos estavam recolhidos com excepção do dedo grande em ambas as mãos também, estes estavam esticados o mais possível, enquanto gritava "o que vocês querem é isto!filhos da put*!...paneleiro*!...cabrões!...bois!" Um pouco depois novamente algumas palavras dirigidas ao juíz da partida, desta vez foi a mãe, "palhaço, palhaço,palhaço!", o filho demonstrando uma sensatez precoce e algum espírito crítico tão importante nestas idades, disse para a progenitora "mamã, uma vez chega".

Parece que alguém já tem os valores muito bem definidos, insultar sim, de forma gratuita sim, fazer a apologia da violência sim, sem imaginação não! A pensar assim parece destinado a grandes vôos este rapaz.

No final, o BENFICA que jogava contra uns tipos de branco, conterrâneos de D.Afonso Henriques, venceu mais uma vez, uma vitória fácil do GLORIOSO por expressivos 2-1.

segunda-feira, setembro 19, 2005

"dói-me os joelhos, o tempo vai mudar"

o mundo está cheio de curiosidades, personagens, coisas boas e coisas más, desiquilíbrios e coisas para equilibrar (e nunca o contrário).

falando dos tempos que correm, pois não conheço outros assim tão distantes, penso que as pessoas estão a desenvolver uma certa tese de conspiração do tempo metereológico contra nós.

ao que tudo indica esse sujeito está a tentar tramar-nos a vida através de golpes baixos, como por exemplo tempestades tropicais, furacões, ciclones e pior que isso, muito pior mesmo, existe um certo país no mundo que é cada vez o alvo preferencial do tempo metereológico, onde às vezes chove, às vezes faz sol e às vezes parece que vai chover e depois...faz sol, a trama já foi no entanto descoberta, e é comum ouvir esse povo astuto vítima dessa cabala dizer "o tempo anda muito estranho, não achas?", ou "o tempo anda muito esquisito, não anda?". frases sábias de um povo que sabe bem que quando chove e depois faz sol é porque algo de errado se passa.

já não bastava sermos meros joguetes nas mãos do destino, agora ainda temos o tempo metereológico a lixar-nos a vida, felizmente que existe quem lê as palmas das mãos, quem interpreta as cartas, quem atira búzios ao ar e vê como eles caem no chão, senão estaríamos tramados, sem saber o que fazer, sem poder prever o futuro e escolhermos sempre a melhor opção para as nossas vidas!

mas voltanto ao tempo metereológico,... é uma constante, e realmente agora que penso nisso, o tempo metereológico é de facto um gajo que com a idade está a ficar incoerente, com alterações de humor constantes e extremas mostrando uma senilidade própria de quem já não sabe bem o que faz.

a idade não perdoa a nada e a ninguém, nem ao tempo

segunda-feira, setembro 05, 2005

"dá lá a bola aos miúdos" a filosofia de vida

escolher a filosofia de vida certa é algo complicado, temos de escolher uma que se adapte ao nosso corpo, ao nosso ego e àquilo que temos.

o português por norma é um gajo porreiro, um deixa andar, com todas as vantagens e se calhar também com as desvantagens que poderão eventualmente existir (embora não haja provas de tal).

no outro dia presenciei este facilitismo intrínseco do português in loco. foi uma coisa simples.

estava num posto de abastecimento, faço o pagamento e enquanto arrumo os jornais no saco e o dinheiro na carteira, chega um individuo que diz "era uma caixa de preservativos faz favor." ao que a funcionária respondeu "qual o tamanho?". Esta pergunta normalmente num outro ponto qualquer do globo causaria embaraço ou o dizer de uma simples mentira, mas não em portugal, porque em portugal existe o português e o português é um gajo porreiro! e além disso estamos bem acima da média, sim dessa média.

Bom, mas voltando à pergunta que faria um americano suar, um italiano tremer, um chinês chorar e um africano sorrir, "qual o tamanho?".

na resposta, toda a grandeza do português, todo o génio do povo lusitano, 9 séculos de história, o fado, o Benfica, a praia e o sol, tudo isto se juntou numa só frase, ...
-"eh pá, pode ser médio!".

"eh pá, pode ser médio!"! Achei isto extraordinário, que humildade!

é que a frase foi dita do género, eu até tenho uma verga do tamanho do mundo mas como sou um gajo porreiro e não quero humilhar ninguém, então até pode ser médio!